AS PRIMEIRAS IMPRESSÕES ENGANAM!
OS RISCOS DE UMA ENTREVISTA COLETIVA MAL CONDUZIDA!
(Qualquer semelhança NÃO É mera coincidência!)
Quem nunca passou por um processo seletivo como esse?
08:00: entrevista em grupo agendada. Você acordou às 05:20 e chegou às 07:45 na empresa. "Melhor chegar antes do que atrasado". 10 candidatos aguardam na recepção. Todos alinhados. Com o visual bem caprichado, tentando causar a melhor impressão possível! Ansiosos, mal se olham. Ninguém arrisca a iniciar uma conversa. "É preciso avaliar os oponentes". Surge a selecionadora, a "psicóloga", tentando ser simpática. Cumprimenta e reúne todos numa sala e, após algumas explanações rápidas sobre a empresa, os desafios da posição, o que se espera do candidato, tirar algumas dúvidas, e do "confronto" que teremos com o gestor da vaga na parte da tarde, coloca todos ao redor duma mesa retangular para o início de uma bateria de testes psicológicos ao melhor estilo "linha de produção": raciocínio lógico, atenção concentrada, personalidade, além de teste escrito de inglês, de conhecimentos gerais, redação baseada em um texto jornalístico e a construção de um Plano de Ação sobre uma determinada situação-problema. Tensão total! Nem um cafezinho é oferecido. Enquanto você realiza os testes, a dedicada selecionadora vai corrigindo os que já foram realizados. Imagino que seja para apresentar ao gestor da vaga os "melhores" candidatos, os de melhor performance. Tudo isso demora a manhã toda. 11:35: a selecionadora recolhe a última "prova" e diz com um sorriso maroto: "cansaram? Nos vemos às 13:00. Bom almoço a todos!". A fome é grande! Os candidatos que antes se olhavam como rivais agora se aproximam e combinam de todos almoçarem juntos. Diálogos são trocados... finalmente.
12:45: todos estão na recepção novamente. 13:00: voltamos para a mesma sala de avaliação, a fim de conhecer e passar pelo crivo inexorável do gestor. Após alguns minutos mórbidos de silêncio, ele aparece na sala. Jovem. Arrojado. De discurso articulado, mas de olhar evasivo. Ele fala compulsivamente. Tenta dizer quem ele é, como ele pensa, o que ele quer, e que "as coisas tem funcionado bem sendo assim". Então a selecionadora pede que os candidatos, um a um, se apresentem, voluntariamente, e sentem-se em uma cadeira à frente de todos, atividade batizada de "paredão", ao melhor estilo Big Brother Brasil. São 5 minutos para dizer seu nome, idade, estado civil, região em que mora, formação familiar, acadêmica, experiência profissional etc., enquanto, supostamente, o tal gestor sabatinaria os candidatos com perguntas investigativas, algumas delas previamente elaboradas antes da entrevista, e formar sua decisão... o que NÃO ACONTECEU!!! O que aconteceu, e que comumente acontece nas melhores empresas, é o que eu considero a MELHOR PARTE DA MINHA CRÍTICA: "o paradoxo do julgamento". Isto é, após ouvirem cada candidato "venderem seu peixe" e dizerem aquilo que os avaliadores querem ouvir, por 5 minutos, tanto o gestor quanto a selecionadora, saem da sala por também 5 minutos para decidirem sobre quem continua e quem será excluído do processo. Voltam à sala com o veredicto: "fulano e fulana, continuam para entrevista individual. Os demais estão dispensados". Atitude honesta e assertiva, porém LEVIANA! Como é possível se formar um parecer consistente sobre um candidato em 5 MINUTOS e sem ter feito pergunta NENHUMA?! E o que foi feito com o resultado dos exaustivos testes aplicados durante toda a manhã?! Claramente, não tiverem peso algum, pois o peso maior foi a palavra final do gestor! O seu "feeling", a sua intuição com base nos julgamentos formados pelas suas PRIMEIRAS IMPRESSÕES. É sabido que todo julgamento baseado em primeiras impressões está fadado ao ERRO, principalmente em se tratando de seleção de pessoal! Agindo assim, criamos suposições e não afirmações. Primeiras impressões são como peças soltas de um quebra-cabeça que nunca irá se completar, pois não há chance de um segundo encontro. Quando conhecemos uma pessoa pela primeira vez, tendemos a formar opiniões sobre ela com base em experiências que tivemos no passado. Nossa inclinação é generalizar e julgar essa pessoa com base em ESTEREÓTIPOS, como: aparência, postura, comportamento, tom de voz, linguajar, nível social, etnia, religião, passatempos etc. A probabilidade de julgarmos erroneamente as pessoas com base em primeiras impressões superficiais é ENORME! Nossa intuição é muito primitiva e tende a rejeitar pessoas que não se pareçam conosco ou cujas crenças pessoais são muito distintas das nossas. Temos a tendência natural de julgar as pessoas sob uma perspectiva maniqueísta, separando os "bons" dos "maus". Esse erro de "selecionar pessoas com base nas primeiras impressões/estereótipos" é tão comum em processos seletivos que em 2002, pesquisadores da Universidade de Harvard, EUA, comprovaram que executivos do mundo todo são altamente influenciáveis pelas primeiras impressões e costumam tomar decisões sobre candidatos baseados em informações distorcidas, caindo, frequentemente, no "efeito halo", supervalorizando algumas características e desvalorizando outras.
A mensagem que deixo a todos os selecionadores é CUIDADO e RESPEITO! Cuidado ao utilizar a técnica de entrevista coletiva (entrevista em grupo) de forma leviana e irresponsável, pois pode-se excluir do processo seletivo candidatos valiosos (aqui entra o "respeito") e incluir candidatos inadequados e desajustados. Para se extrair o melhor de um candidato é preciso elaborar perguntas investigativas antes e durante a seleção, é preciso de tempo, é preciso ter a mente aberta e livre de preconceitos, é preciso "construir pontes", a fim de não avaliar o outro pelos próprios padrões morais, crenças e expectativas. Por isso é recomendável que nenhuma primeira impressão seja a última!
Concluo, perguntando: "quem nunca passou por um processo seletivo como esse?".
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